Entenda o que está acontecendo com o mogno brasileiro e porque ele está ameaçado

Mais comum na região amazônica e em alguns países da América Central, o mogno brasileiro (Swietenia macrophylla) nos últimos anos foi um dos cultivos que mais cresceram. Essa alta se deu principalmente por causa da qualidade de sua madeira, considerada um artigo de luxo. 

A madeira do mogno possui uma coloração castanho avermelhada, por isso, e também por ser um material intenso e duradouro, é muito utilizada na produção de móveis de luxo, objetos de adorno, painéis, acabamentos internos, instrumentos musicais, assoalhos, molduras, entre outros. 

Além de matéria-prima, a árvore do mogno pode ser usada para fins ornamentais, podendo ser utilizada com sucesso na arborização de parques e grandes jardins. O mogno apresenta um melhor desenvolvimento na região centro-sul do país, mas isso não significa que ele não cresça em outras regiões.

Por causa de seu alto valor para a marcenaria, carpintaria e a sua estética de luxo, o mogno foi bastante explorado entre as décadas de 80 e início dos anos 2000. Por isso, um dos atuais problemas que a espécie enfrenta é a extração ilegal, fazendo com que o mogno brasileiro corra o risco de extinção. Continue a leitura e saiba tudo sobre esse assunto! 

Mogno africano e árvores em extinção, saiba mais. | Foto: Pexels.

O Mogno Africano

As árvores de mogno atingem dimensões próximas de 70m de altura e 3,50m de DAP (diâmetro a altura do peito, medido a 1,30m do solo), na idade adulta. A espécie se desenvolve muito bem debaixo de longos períodos de sol e não tolera baixas temperaturas. 

O mogno é encontrado em floresta clímax, de terra firme e argilosa. De crescimento rápido, pode atingir quatro metros em 2 anos de idade. A época da florescência ocorre nos meses de novembro a janeiro e seus frutos amadurecem de setembro a meados de novembro.

Tem crescimento monopodial, ou seja, cresce verticalmente assim como a maioria das árvores. O mogno elimina seus galhos através do processo de desrama natural. Também conhecido como aguano e uraputanga, o mogno brasileiro é alvo da praga “broca de ponteiro” ou “broca-das-meliáceas”. 

Essa praga é de difícil controle, e se trata de uma mariposa da espécie Hypsipylla grandella. Enquanto larva, ela perfura e destrói o broto terminal, fazendo buracos dentro do tronco do mogno afetando diretamente seu crescimento e a qualidade da madeira, que se torna esburacada e inutilizável. 

Nesse sentido, plantios puros de mogno tem intensa ocorrência da broca do ponteiro. Por isso é recomendado que o plantio seja feito com critério, técnica adequada de silvicultura e, se possível, consorciado outras espécies na mesma área para diminuir a pressão de ataque.

Apesar da broca do ponteiro ser um fator negativo para o mogno brasileiro, a principal ameaça à sua sobrevivência, entretanto, é a extração ilegal. Esse fator gera uma enorme devastação não só para a existência do mogno, mas para toda uma biodiversidade, colocando diversas espécies de árvores em extinção. 

A extração ilegal do Mogno Africano

Por causa da extração ilegal, o mogno brasileiro já desapareceu de grandes áreas de floresta e resiste apenas em regiões de difícil acesso e em áreas protegidas. Porém, os madeireiros insistem em invadir essas áreas, abrindo estradas na mata numa busca ilegal pelo valioso mogno. 

Essa busca gera uma grande devastação, pois além da derrubado do mogno, o processo de abertura de estradas, a promoção desenfreada de derrubada ilegal e o arraste da madeira leva a destruição de até 30 árvores proximas, contribuindo para o aumento do desmatamento em um ciclo de destruição que parece não ter fim. 

Muitos conflitos violentos resultantes da indústria ilegal foram relatados em terras indígenas. Os índios foram forçados a tomar medidas diretas para impedir a invasão ilegal de suas terras por madeireiros. Tragicamente, isso às vezes termina em violência.

Exportadores, comerciantes, fabricantes, varejistas e consumidores finais de mogno participam assim do processo de devastação da Amazônia movido pelo lucro de um lado e “prestígio” do outro.

Como já mencionado, a madeira do mogno brasileiro é a matéria-prima de diversos artigos de luxo e por isso, nos últimos tempos outros países têm utilizado o nome “mogno” na nomenclatura de suas espécies nativas a fim de pegar uma carona no sucesso dessa madeira, como é o caso do mogno africano.  

Entretanto, é importante entender que a madeira dessas espécies apresentam diferenças nas características técnicas quando são comparadas com o mogno encontrado nas regiões amazônicas da América. 

Espécies de mogno em extinção

Como o mogno brasileiro apresenta todas essas características positivas aos olhos do mercado madeireiro, sua extração clandestina parece ser inevitável no Brasil. Para tentar frear tamanha devastação, a exploração, o transporte e comercialização da árvore é proibida no Brasil desde 2001. 

Por causa dessa proibição, o mercado precisou buscar outras alternativas que fossem legais para substituir o espaço deixado pelo mogno brasileiro. A opção que melhor se adequou foi o mogno africano, por apresentar características muito parecidas com a espécie brasileira. 

O mogno africano é originário da África Ocidental, com maior ocorrência na Costa do Marfim e Gana. Essa espécie foi trazida para o Brasil na década de 70 para fins de comercialização. 

Como dito, o espécime africano é bastante parecido com o mogno brasileiro, que é castanho avermelhado. Por isso, e também por ter suprido as necessidades do mercado nacional e internacional, essa alternativa é o mais recente “ouro verde” do segmento comercial de madeiras nobres.  

O mogno africano é ótimo para as regiões quentes, sua madeira também é utilizada na produção de móveis de luxo, na construção civil,  instrumentos musicais, imobiliário, construção naval, entre outros.  

Assim que foi introduzido no Brasil, o mogno africano era usado em áreas de reposição florestal e plantios experimentais. Seu plantio é indicado por causa da beleza, dureza e durabilidade de sua madeira, e por esses motivos ele é muito cobiçado tanto dentro do país quanto no exterior. 

Um detalhe que diferencia o mogno brasileiro do africano é que esse último não sofre com o problema de pragas como na espécie brasileira, além de não necessitar de muitas quantidades de água. Quanto à rentabilidade, a garantia de um bom investimento se dá pelo grande interesse em sua madeira de luxo. 

Apesar do seu uso comercial ser permitido em nosso país, as certificações e licenças necessárias para o plantio permanecem acirradas, sendo necessário a regulamentação das atividades por  órgãos ambientais para uma extração legalizada e consciente do mogno.

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