Mudas de mogno africano: veja as diferenças das espécies

As mudas de mogno africano, originárias de países como Costa do Marfim, Angola, Nigéria, República dos Camarões e Gabão, são responsáveis por uma madeira de ótima qualidade, voltada principalmente para o mercado de produtos luxuosos, e possui um bom desenvolvimento no Brasil. Por isso, se tornou um tipo de cultura legalmente aceita no país.

Diferentemente do mogno brasileiro (Swietenia macrophylla), o mogno africano possui maior resistência a pragas e doenças locais e se adapta bem a outras culturas no mesmo local. 

Existem quatro tipos de espécies de mudas de mogno africano disponíveis no mercado, a Khaya ivorensis, Khaya anthotheca e Khaya senegalensis, Khaya grandiflora, sendo as mais pesquisadas para plantio as grandiflora e a senegalensis.

Para entender de uma vez por todas as diferenças dessas espécies e a importância do plantio do mogno africano, assim como sua rentabilidade, separamos algumas dicas de grande utilidade para você. Leia a seguir!

Projeto Mahogany404 | Foto: Grupo Selva Florestal

Saiba as diferenças das espécies de mudas de mogno africano

As mudas do gênero Khaya são comercializadas por diversos nomes ao redor do mundo: African mahogany, na Inglaterra e Estados Unidos; Acajou D’Áfrique, na França e Bélgica; Khaya mahagoni, na Alemanha; Afrikaans Mahoganie, na Holanda e Mogno Africano em Portugual. 

Possuindo quatro tipos de espécies diferentes entre si, é importante saber os aspectos do tronco, folhagem, tamanhos e características gerais de cada espécie para te guiar na hora do plantio de seu mogno africano. Veja mais sobre cada uma abaixo: 

Khaya anthotheca

Pouco cultivada no Brasil, a espécie, chamada também de mongo-branco, é recomendada para plantio em solos próximos a rios e encostas. Além disso, ela se desenvolve melhor em altitudes que vão de 1500m e com índices de chuva de média anual de 1200mm até 1800m.

A espécie é bastante alta e pode chegar até 65 metros de altura, possuindo folhagem lisa e com nervuras não muito aparentes. O cultivo desse tipo de mogno pode ser útil para fabricar pisos, barcos e canoas, isto é, uma madeira de ótima qualidade e de construções de peso médio. 

Khaya grandifoliola

Espécie com boa adaptação em solos com bastante água. A espécie se desenvolve em altitudes de até 1400m e em locais com índices pluviométricos médios por ano entre 1200mm e 1800mm. Assim sendo, a espécie não tolera secas prolongadas e nem geadas, principalmente quando jovem, momento no qual precisa de nutrientes e água.

Khaya grandifoliola é uma espécie que pode chegar até 40 metros. Possui o tronco inclinado próximo ao topo e as folhas grandes, por isso, também é chamado de mogno-da folha-grande na cor verde-oliva, com nervuras bastante aparentes. Além disso, é uma árvore que se adapta bem tanto na luz quanto na sombra. 

A espécie é a mais plantada no Brasil. Por isso, é conhecida apenas como mogno-africano. Sua madeira serve para carpintaria, móveis e até construções navais. Servindo para construções leves e pesadas. 

Sua plantação se originou no Brasil no ano de 1976,  na região Norte do país. Mais especificamente em Belém, no estado do Pará. No entanto, hoje em dia, é o estado de Minas Gerais que possui a maior plantação de mogno africano. A espécie teve ótima adaptação no Brasil desde então, e sua média de produtividade é maior que em países como a Malásia e a Austrália. 

Vale lembrar que é indicado que o plantio dessa espécie seja em um espaçamento 3×2, 3×3, 4×4 não ultrapassando 5×5 metros quadrados.

Khaya ivorensis

Até 2019, acreditava-se que essa espécie era a mais plantada no Brasil. A espécie, conhecida como mogno-vermelho, se desenvolve em solos com bastante água, mas também cresce em solos lateríticos de encosta. A altitude necessária para o plantio é de até 700m e a planta se desenvolve bem em áreas tropicais. 

As árvores possuem um grande porte e podem chegar até 60 metros, seus troncos tendem a ser retos e só possuem ramos até os 30 metros de altura. A folhagem desta espécie são menores e agudas em seu ápice. 

A madeira do mogno-vermelho é bastante utilizada em móveis como portas, janelas, escadas e portas e, até mesmo, usada para designers luxuosos. No entanto, ela também pode ser usada em construções navais, por exemplo. Assim, serve para construções leves e pesadas.

Khaya senegalensis

É  a segunda espécie mais plantada no Brasil, popularmente conhecida como mogno de zonas secas, pois para se desenvolver ela precisa de solos sem muita água, mas bem drenados no fundo. Ele pode se desenvolver até em solos de pouca fertilidade. Tende a crescer em locais úmidos e com altitude de até 1800m. 

O nível médio de chuvas necessário para manter essa espécie anualmente é de 650mm até, no máximo, 1300mm. Isto é, ela pode ser plantada em ambientes que possuem pouca chuva e até locais que chove bastante, sendo bem adaptável. 

A árvore não possui um grande porte, chegando apenas a 35 metros de altura. Seu tronco é torto e possui ramos de baixa estatura na cor verde-oliva e com nervuras amareladas. É plantada principalmente em solos com pouca água e áreas secas e é usada carpintaria e marcenaria. No Brasil, a espécie está sendo plantada há cerca de 10 anos. Vale lembrar que o espaçamento para seu plantio é de 3×3 ou 3×2 metros quadrados. 

Passo a passo de como começar a investir em sementes de Mogno Africano

Se você analisou as espécies de mogno africano e pensa em começar a investir no ramo, separamos um passo a passo com excelentes dicas para você:

1. Faça uma análise do solo

Para se planejar bem na hora do plantio, o primeiro passo é fazer uma análise do solo, isto é, coletar partes do solo e enviar para um laboratório para ter dados específicos. 

A partir dessa análise, você vai começar a entender o que você pode fazer para alterar e melhorar o seu solo para começar o plantio. Assim, se seu solo é muito ácido, se ele possui pouca água, entre outras características. 

A correção do seu solo pode ser feita de diversas maneiras, desde a colocação de nutrientes que irão ajudar no crescimento e na nutrição da semente, até outros métodos que dependem exclusivamente da análise de laboratório na área do plantio. 

Além disso, vale ressaltar que há solos que não têm como fazer a correção para o plantio de nenhuma espécie. Como por exemplo, solos rochosos ou alagados. Assim, não se deve fazer o plantio de mogno nesses casos, uma vez que, provavelmente, não dará certo e você terá gastos excessivos por falta de preparo. 

2. Análise da topografia

Apenas com a análise da topografia, você poderá saber como será a drenagem desse solo que você escolheu para plantio. Além disso, a análise topográfica permite você conhecer melhor o tipo de solo, além de saber informações sobre compactuação e profundidade dele.

A partir de uma análise topográfica, você também pode começar a ver o orçamento de plantio do mogno africano.  

3. Verificar o índices de chuva

Saber o índice pluviométrico anual do local é de extrema importância para o seu plantio. Assim, você saberá a melhor forma de irrigação da sua muda. Como foi dito, o índice ideal para um mogno africano da espécie Khaya grandifoliola, mais plantada no Brasil, é acima de 1200mm, necessitando de chuvas bem espaçadas ao ano. Caso o índice da sua região seja inferior ao valor, você pode apostar em outras formas de irrigação do solo.

Além disso, é provável que quando jovens as mudas podem precisar de irrigação mecânica para suprir a falta de chuvas, ou como forma de complementação, já que nessa fase elas necessitam de mais atenção para crescer. 

É importante ressaltar que o plantio de mogno africano é feito em tempos chuvosos. Nesse sentido, você deve começar a se preparar no período do verão, já sabendo o orçamento necessário para seu plantio.

4. Determine a área de plantio

Essa é uma etapa extremamente importante para quem pensa em plantar o mogno africano. Você deve saber o espaçamento correto entre as mudas que irá plantar, para então definir quantas mudas serão necessárias para o plantio em sua terra.

Para definir esse espaçamento, você precisa reservar um espaço de acordo com o local que você tem disponível e com a existência de outras mudas (uma vez que o mogno africano pode ser cultivado junto a outras culturas).

No entanto, caso não seja dividida a área de plantio com outras mudas, o espaço ideal para a plantação é de 400 a 550 mudas a cada hectare de terra. O plantio mais adensado ajuda a se obter uma madeira de boa qualidade. Dessa forma, quando as mudas crescerem tem que fazer os desbastes para elas não competir por espaço, nutrientes e iluminação.

5. Escolha uma muda de qualidade para ser plantada

Preze sempre por escolher mudas oriundas de locais que invistam em constante pesquisa e análise  e que sejam registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Essa escolha vai te poupar de dores de cabeça futuras, comprando mudas de boa qualidade e investindo em um plantio que você sabe que dará certo.

6. Atente-se ao manejo

Não há nunca uma fórmula perfeita de plantio, por isso, é necessário se atentar e se planejar para o manejo das suas mudas à medida que elas forem crescendo. 

Isto é: 

  • Quais e como serão combatidas futuras pragas? 
  • Quando serão feitos os desbastes (primeiros cortes para a venda)? 
  • Qual o momento ideal para novas adubações?

Todas essas tarefas devem ser antecipadamente planejadas. 

Por que plantar mudas de mogno africano?

A rentabilidade do mogno africano e os benefícios de seu plantio são imensos. Além de ser uma plantação segura e legal, que se adapta bem ao solo brasileiro e pode viver com outros tipos de cultura, o mogno africano também atua na substituição do plantio do mogno brasileiro.

O mogno brasileiro é uma árvore que se originou na Amazônia mas, com exploração contínua, passou a ser legalmente protegida, sendo proibida de comercialização e extração. Nesse sentido, com pouco tempo de inserção do mogno africano no Brasil, de acordo com a Embrapa, já foram plantados cerca de 37 mil hectares no país. Esse fator evita tanto o comércio ilegal de madeira quando a degradação do meio ambiente. 

Além da preservação, o mogno africano tem um alto preço no mercado nacional e internacional: o da espécie Khaya grandifolia, conhecida como mogno da folha grande, pode ser plantada em todas as regiões do Brasil e apesar de demorar cerca de 12 a 20 anos para um retorno, sua rentabilidade pode chegar a R$ 404.000,00 por hectare plantado. 

Além disso, é possível ter um retorno antecipadamente. É importante destacar os destinos e a lucratividade do mogno no desbaste, ou seja, no seu primeiro corte. Chamado também de mogno jovem, o primeiro corte da espécie não reduz a possibilidade de lucratividade. Assim sendo, esse primeiro corte é importante para retirar árvores e ter espaços para a produção de mais madeira. 

Com os mogno jovens, você pode ter diversas perspectivas dentro do mercado. Uma delas é o uso da madeira para a construção de móveis de luxo. Isto é, peças únicas feitas por designers que permitem ter um valor muito alto no mercado. Além disso, o mogno jovem tem sido levado para amostras ao longo do mundo como uma forma de divulgação do trabalho brasileiro com a madeira para um mercado consumidor de produtos luxuosos. 

Por ser responsável pela confecção de muitos e produtos de luxo, o mercado internacional e nacional busca cada vez mais pelo consumo do mogno africano brasileiro, uma vez que o solo e clima do país são totalmente favoráveis para o plantio. 

Sendo assim, vale a pena investir em madeira nobre, uma vez que o local onde ocorre o plantio é valorizado e o retorno financeiro é muito grande. Nesse sentido, ainda que demore 16 anos para a colheita final, você pode ter um retorno antecipado não só com o aumento do valor da propriedade rural, como também com a venda de mogno jovem para investidores e a rentabilidade em compensação florestal.

Portanto, agora você já conhece as espécies e mudas de mogno, e como fazer seu passo a passo para obter uma lucratividade com as mudas de mogno africano. Basta buscar uma consultoria para plantio com o Grupo Selva Florestal e começar!

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