Qual a importância da restauração ecológica

Não dá para negar que a ação do homem no meio ambiente ao longo do tempo ocasionou diversos danos e impactos negativos para a fauna e flora. Por conta de uma exploração indevida e desmedida, várias florestas e ecossistemas estão em desequilíbrio, o que ameaça a vida da vegetação e dos animais que precisam do seu hábitat natural para prosperar. A restauração ecológica é uma resposta para essa problemática ambiental.

A restauração ecológica é uma prática importante para a preservação da fauna, flora e recursos naturais. | Foto: Freepik/jcomp.

A restauração ecológica visa o restabelecimento de uma área degradada para evitar a destruição completa de um habitat e a extinção de seus recursos naturais. Quer saber mais? Continue a leitura!

O que é restauração ecológica?

Antes de entrar no conceito de restauração ecológica, é importante saber qual a definição de ecossistema e de equilíbrio ambiental. 

Ecossistema é um conjunto de comunidades de plantas, animais e microrganismos que interagem em conjunto com seu ambiente físico. Essa interação estabelece um sistema autossuficiente de equilíbrio ambiental, no qual as espécies permanecem em uma constância por meio da cadeia alimentar.

A restauração ecológica é uma ação humana intencional com o objetivo de recuperar ecossistemas degradados ou destruídos e, assim, reconstituir um equilíbrio ambiental na área em questão, que pode ter sido afetado tanto pela exploração humana, quanto por processos naturais, como incêndios, enchentes, atividade vulcânica etc.

A ação humana no meio ambiente produziu grande impacto nos ecossistemas, como: 

  • a alteração de grupos nativos de plantas e animais por meio da introdução de espécies exóticas e invasoras;
  • o desmatamento desmedido para tornar áreas naturais propícias para agricultura e mineração; entre outros.

Sabendo disso, o projeto de restauração ecológica, por meio de diversos fundamentos que serão discutidos posteriormente, foca em reparar danos nos ecossistemas que foram degradados, perturbados ou destruídos, para que eles recuperem seu estado original de estabilidade.

Como funciona a restauração ecológica?

A restauração ecológica funciona por meio de estudos acerca do funcionamento e da composição original de um ecossistema, ou seja, de como ele se mantinha antes de ser corrompido, combinado a estudos de ecossistemas parecidos que estão intactos. 

É necessária a aliança de diversas áreas do conhecimento, desde engenharia até biologia, para que o processo de restauração ecológica seja eficaz, uma vez que o projeto exige um monitoramento e planejamento cuidadoso.

O processo de restauração ecológica é complexo, visto que, na maioria dos casos, é difícil achar um motivo completo que ocasionou a degradação, transformação ou destruição do ecossistema. Isso ocorre pois geralmente as causas são múltiplas e vem de um período longo, com diversos componentes históricos que foram, em grande parte, perdidos. 

A atuação prática da ecologia da restauração é a de criar condições necessárias para que o ecossistema degradado consiga se recuperar e voltar para a trajetória de equilíbrio. Isso é possível por meio de diferentes práticas ecológicas, que são estabelecidas de acordo com a área que esteja precisando de assistência. 

Essa assistência pode ser a de remover espécies invasoras de plantas ou de animais ou reintroduzir uma espécie que foi extinta por conta da degradação. Existem também práticas mais complexas, como a de recuperar toda a vegetação nativa, alterar o relevo ou mudar aspectos da hidrologia, ciência que estuda a distribuição e movimentação da água levando em consideração a poluição e a contaminação dela.

Os profissionais envolvidos com o projeto de restauração ecológica devem levar em conta as condições climáticas do ambiente, assim como os custos, tempo de execução, condições culturais, limitações etc. A vegetação e os animais devem ser monitorados e estudados para que a cadeia alimentar volte a ser autossuficiente e equilibrada.

É importante ter em mente que o ecossistema pode nunca voltar a ser o que era antes, e esse não é o objetivo da restauração ecológica. Devido a fatores externos da realidade ambiental contemporânea, como o aquecimento global, alguns elementos naturais do ecossistema podem ter uma trajetória diferente de recuperação. 

Quando a restauração ecológica está completa?

O processo de restauração ecológica é longo e contínuo, podendo durar anos, décadas e até séculos. Por exemplo, se uma área florestal com árvores antigas sofreu um desmatamento intenso e desmedido, será necessário muito tempo para que o reflorestamento chegue a um estágio de recuperação próximo ao que era antes da degradação.

Mesmo quando a área corrompida já está sendo reconhecida como recuperada por meio da restauração ecológica, ainda é necessário um monitoramento para se certificar de que fatores externos, como ação humana, mudanças climáticas e invasão de espécies oportunistas, não ameaçam o ecossistema tratado. 

É possível considerar que o projeto de restauração ecológica foi completo quando o ecossistema consegue recuperar seu equilíbrio e autossuficiência sem precisar de manejo e da gestão humana, ou seja, o ambiente consegue se manter mesmo com perturbações externas em nível normal.

Os diversos aspectos do ecossistema, desde elementos inanimados até plantas e predadores, estabelecem interações entre si de forma harmoniosa, ou seja, sem um desses elementos ficar ameaçado de extinção ou entrar em estado de superpopulação. 

Qual é o princípio fundamental da restauração de ecossistemas no Brasil?

Existe uma variedade de princípios que ajudam a determinar quando uma área ambiental pode ser considerada efetivamente recuperada e restaurada, funcionando como um guia para o desenvolvimento de um projeto de restauração ecológica. São alguns deles:

Número de espécies nativas

O ecossistema recuperado deve possuir um número ideal de espécies nativas. Esse número é estabelecido por meio do conjunto de espécies que existem em um ecossistema de referência, ou seja, um modelo com características parecidas ao local degradado que apresenta condições naturais adequadas.

Estabilidade na cadeia alimentícia

Para o ecossistema ser considerado restaurado, é preciso que espécies garantam um funcionamento e desenvolvimento contínuo do ecossistema, ou seja, que haja estabilidade na cadeia alimentícia.

Sustentabilidade

O ambiente físico do ecossistema precisa conseguir sustentar as populações reprodutivas de espécies.

Funcionamento correto

O ecossistema restaurado deve funcionar sem apresentar sinais de disfunção, isto é, um funcionamento prejudicado ou com alterações negativas.

Capaz de suportar estresse

O ambiente recuperado pela restauração ecológica deve suportar perturbações e eventos de estresse, proporcionados por fatores da própria natureza ou por ação humana.

Existência indefinida

O ecossistema restaurado não deve apresentar um “prazo de validade”, ou seja, deve possuir o potencial de persistir indefinidamente sob as condições ambientais existentes e também de evoluir com o tempo.

Por fim, a restauração ecológica é de extrema importância para o nosso planeta. Então, agora que você já aprendeu um pouco mais sobre o assunto, continue nos acompanhando para ver mais conteúdos parecidos com este!

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