Conheça a fundo o que é um mogno africano e suas características

O mogno africano é muito conhecido para aqueles que querem fazer um investimento “verde” de longo prazo. Mas quais são as características dessa árvore?  Como é o processo de crescimento e quando a madeira de mogno pode ser cortada e vendida? Vamos entender agora as características do mogno africano. Confira! 

Muda do mogno africano ​Khaya senegalensis. | Foto: Reprodução.

Conhecendo o mogno africano

O mogno africano é o nome genérico que se dá às espécies arbóreas do gênero Khaya. Dentre elas, duas são as mais conhecidas: Khaya senegalensis e Khaya grandifoliola/ivorensis (ambas de origem Mali, Senegal, Norte de Camarões, Uganda e Sudão). Essa segunda espécie é a mais popular entre os cultivadores e é justamente esse mogno africano que vamos aprofundar ao longo da matéria.

Originado da África Ocidental – principalmente Costa do Marfim e Gana – o Mogno Africano (Khaya grandifoliola) está entre as madeiras mais cultivadas do Brasil em virtude do alto retorno financeiro junto à rentabilidade da madeira. 

O mogno africano pode ser visto como um surpreendente investimento a longo prazo, especialmente para aqueles que desejam diversificar suas aplicações financeiras. Cada hectare de mogno contém um incremento médio anual de 21 m³ da madeira em tora.

Além disso, quando em florestas naturais e devido ao seu porte elevado, o mogno africano pode chegar aos 200 cm de DAP (Diâmetro à Altura do Peito) e 50 m de altura. Ele apresenta caule sem tortuosidades, possuindo um sistema radicular amplo e sendo livre de ramificações até uma faixa de cerca de 30 m.

Sua casca é mais fina quando comparada a Khaya senegalensis, apresenta uma coloração marrom-avermelhada na qual permite o uso em movelarias, ornamentais, construções civis e navais, entre outras finalidades.

O mogno africano possui um rápido tempo de crescimento devido à fácil adaptação ao clima brasileiro, o que torna-o uma das espécies mais nobres de desenvolvimento acelerado.

Utilidades do mogno africano

Existem diversos usos para as cascas, folhas, frutos, sementes e a madeira de mogno africano. A densidade e tonalidade da madeira influenciam diretamente na utilização de cada um. Veja as finalidades para as madeiras do mogno de espécies diferentes:

  • Khaya anthotheca: conhecida como mogno-branco. Sua madeira de mogno é usada na fabricação de móveis, painéis, pisos, lâminas e construção de barcos e canoas.
  • Khaya grandifoliola: conhecida como mogno-da-folha-grande. Essa espécie é adequada para carpintaria, marcenaria, laminação decorativa e móveis. Além disso, serve para uma construção leve, podendo incluir pisos e acabamentos, ou instrumentos musicais, entalhes, utensílios domésticos, entre outros. 
  • Khaya ivorensis: conhecida como mogno-vermelho, pode ser utilizada na movelaria e em pequenos objetos. Seus usos mais comuns são para painéis, estruturas de janelas, escadas e portas. Também pode ser usada em construções leves e pesadas.
  • Khaya senegalensis: possui usos semelhantes aos citados para a Khaya ivorensis. Pode ser utilizada na carpintaria, marcenaria, construção naval, móveis e lâminas decorativas. Além disso, é adequada para construção, acabamento interno, carrocerias de veículos, pavimentação, brinquedos, entre outros.

Ciclo do mogno africano

Em solos de terra firme, o mogno africano possui um ótimo desenvolvimento, preferencialmente em locais com clima tropical úmido. Para o processo de adubação é necessário ocorrer algumas análises do solo, mas é bom lembrar que essa espécie corresponde muito bem à adubação orgânica. 

O mogno africano atinge sua idade de corte entre os 15 e 20 anos. Levando todos os cuidados necessários, o fuste deverá estar com 12 a 15 m de comprimento e diâmetro entre 60 e 80 cm.

Quanto custa para plantar um hectare de mogno?

O corte raso do mogno africano é realizado entre o 17º e o 25º ano contando com a extração do restante das árvores. Nesse período o valor da madeira pode variar entre 100 até 600 euros a cada metro cúbico – segundo as dimensões e qualidade das toras. Sendo assim, um hectare de mogno africano pode gerar em média meio milhão de reais. 

Aderindo todos os cuidados necessários com a plantação de mogno africano, ela poderá se tornar preciosa, rendendo cerca de meio milhão de reais por hectare durante o ciclo.

Processo de crescimento do mogno africano

​Graças a fácil adaptação ao clima brasileiro, o mogno africano é uma das espécies com o tempo de crescimento mais rápido quando comparada a outras. Sua idade de maturação ocorre entre 13 e 15 anos – é nesse período que a parte central da árvore de mogno é formada.

No entanto, a idade é capaz de determinar o crescimento da floresta, seja positiva ou negativamente. De forma positiva, acontece o desenvolvimento natural das plantas, enquanto de modo negativo, surgem algumas restrições impostas por fatores externos (competição entre as plantas no campo juntamente com estresse hídrico) e internos (mecanismos auto regulatórios e envelhecimento).

É importante monitorar o crescimento em altura e diâmetro de um talhão até o corte raso da floresta com a finalidade de determinar o quanto de maneira será produzida ou identificar o momento certo para realizar o manejo na floresta. Só assim, será possível dar origem ao inventário florestal. Esses dados podem ser utilizados para fazer os respectivos cálculos: Incremento Corrente Anual (ICA) que indica o quanto a floresta cresceu em volume no último ano e o Incremento Médio Anual (IMA) apontando o crescimento médio em volume de um determinado período.

​Esses cálculos têm como finalidade saber a quantidade de madeira produzida ao longo dos anos e como se encontra o desempenho da floresta, apresentando também o maior controle em relação ao seu desenvolvimento. A partir da coleta de dados, será possível identificar o momento certo para realizar o manejo, desbaste e corte raso da floresta (considerando também os aspectos financeiros). 

Diante do caso do mogno africano (com um espaçamento de 3 x 2 ou de 3 x 3 metros) a mensuração deste deve ser feita anualmente a partir dos 3 ano, sempre no mesmo talhão. Geralmente é notável a interrupção do crescimento das árvores em razão da competição entre elas. Sendo assim, é altamente recomendável o manejo dos desbastes, pois a retirada de indivíduos resultará na retomada do crescimento das remanescentes.

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