Conheça algumas curiosidades sobre o pau-brasil e o mogno africano

Se o nosso país tem esse nome de Brasil é graças a uma árvore. Já tivemos alguns nomes diferentes antes da alcunha que temos hoje, já fomos pindorama, Ilha de Vera Cruz, Terra de Santa Fé e, por fim, Brasil. Esse título veio da época do nosso “descobrimento” no século XVI, quando a principal riqueza que os portugueses extraíam daqui era uma árvore grande e que tinha uma coloração vermelha por dentro: o Pau-Brasil.

O nosso Pau-Brasil foi brilhar na Europa servindo de móvel, madeira de instrumentos musicais e uma seiva extraída do interior do tronco era usada como corante para as roupas vermelhas. A extração do Pau-Brasil era tão grande na época que mesmo no século XVI houve a preocupação com a preservação da madeira.

O Pau-Brasil foi considerado uma madeira de Lei, tendo sua derrubada autorizada somente com autorização da Coroa Portuguesa. No entanto, mesmo com essa medida, o Pau-Brasil foi muito explorado e entrou em perigo de extinção. A grande preocupação com o Pau-Brasil veio no século XX, quando a árvore foi abraçada como um símbolo do nosso país.

Assim como o Pau- Brasil, o Mogno Brasileiro sofreu muito com a extração e hoje corre risco de extinção. Adiante, saiba mais sobre as mudas mogno africano também. | Foto: Freepik.

No início do século XX, a comunidade artística estava sendo influenciada pelas vanguardas modernistas, era época do modernismo e foi justamente aí que o Pau-Brasil foi lembrado. O poeta Oswald de Andrade criou o Manifesto Pau-Brasil, que defendia, entre muitas outras coisas, que a poesia brasileira fosse exportada, assim como o Pau -Brasil fora no século XVI. O Manifesto Pau- Brasil foi lançado na primeira fase do Modernismo, a chamada fase Heroica, que abordava o patriotismo pelo país.

Agora, vamos falar um pouco mais da árvore símbolo do nosso país. O Pau-Brasil é uma árvore da Mata Atlântica, um bioma que sofreu muito com o desmatamento. O Pau-Brasil era encontrado em toda a costa desde o Rio Grande do Norte, até o Rio de Janeiro. Além de Pau-Brasil, a árvore tem outros nomes sendo conhecida por: ibirapitanga, paubrasilia, orabutã, brasileto, ibirapiranga, ibirapita, muirapiranga, pau-rosado, pau-de-pernambuco.  

Há registros que o Pau-Brasil chegava a 30 metros de altura, mas as poucas árvores de Pau-Brasil que sobraram têm entre 8 a 12 metros de altura. O tronco tem entre 40 a 70 centímetros de espessura e possui uma camada de casca escamosa e por dentro uma coloração avermelhada. As flores do Pau-Brasil têm uma cor amarelada.

Tipos de Pau-Brasil

Antes de 2016, o Pau-Brasil fazia parte de um outro gênero, o Caesalpinia, que incluía o Pau Ferro, mas, após pesquisadores do Brasil, Canadá, Suíça e Reino Unido realizarem análises filogenéticas com o DNA de várias espécies do grupo, constaram que o Pau-Brasil era tão diferente dos outro que poderia ser classificado como um gênero próprio. Então, o Pau-Brasil foi batizado com o nome científico de Paubrasilia echinata

Usos do Pau-Brasil

Como falado antes, o Pau-Brasil tem vários usos graças à madeira pesada, dura e compacta e também resistente a fungos. Os principais usos do Pau-Brasil eram na construção civil, naval e fabricação de móveis, além de instrumentos como o violino. 

Entretanto, desde o início dos anos 2000, o Pau-Brasil está em risco de extinção e a extração do Pau-Brasil para fins comerciais está proibida. Sendo somente permitida para a fabricação de arcos de violinos. Mas existem algumas árvores que podem substituir o Pau-Brasil. Essas árvores que podem substituir o Pau-Brasil são: Jacarandá, Jatobá, Cedro Rosa, Angico, Ipê, Guanandi, Pau Ferro e Peroba Rosa. Existe também uma outra opção, o Mogno Africano.

Você sabia que o Mogno Africano pode ser usado do mesmo jeito que o Pau-Brasil?

Como o Pau-Brasil está em risco de extinção, outras madeiras começaram a ser usadas para as mesmas funções. Uma delas foi o Mogno Brasileiro, mas, assim como a árvore que deu nome ao nosso país, o Pau-Brasil, o Mogno também corre risco de extinção, e restam poucos exemplares disponíveis, a maioria está localizada em áreas de difícil acesso na Amazônia. Além do corte predatório, o Mogno Brasileiro sofre com uma praga, é uma larva de mariposa que fura o tronco e dificulta o crescimento da árvore.

Eis que surge o parente Africano do nosso Mogno Brasileiro. Ele chegou por aqui na década de 70, e ficou mais popular nos anos seguintes e hoje é considerado até uma forma de investimento pela alta procura pela madeira e o preço no mercado madeireiro. Trata-se de um investimento para longo prazo já que o corte da madeira se dá entre o 13º e o 15º ano da árvore. Mas a opção pode ser uma boa, estima-se que, no final do ciclo, a receita bruta de se plantar 1 hectare de mudas de Mogno Africano seja de até 500 mil reais.

Existem três principais espécies do Mogno Africano, todas do mesmo gênero (que é o primeiro nome que aparece no nome científico, o segundo é o nome da espécie), Khaya. Entretanto, a mais plantada por aqui é a grandifoliola, a senegalensis, anthoteca e a ivorensis está começando alguns plantios.

A região de onde a K. grandifoliola é o Mali, Senegal, norte de Camarões, Uganda e Sudão, todos países do continente africano. Como essa é a espécie mais encontrada no Brasil, tudo que você vai ler sobre o mogno afrincano será sobre essa espécie. 

O Mogno Africano pode chegar a 50 metros de altura, um tronco com coloração marrom avermelhada e cascas rugosas. Essa árvore tem um crescimento melhor em solos bem estruturados, precisando de Sol, água e nutrientes obtidos pelo solo. E aqui no Brasil, ela se adaptou bem às condições do nosso país, e está presente em boa parte do território nacional.

E por ser mais resistente à praga que atinge o Mogno Brasileiro, a broca do Mogno, o exemplar Africano se tornou uma opção muito boa para várias indústrias, como a da construção civil a da construção naval, a de instrumentos musicais (é possível encontrar não somente violinos, mas também violões e guitarras feitos com esse tipo de madeira, inclusive instrumentos de alta performance e com um custo bem salgado). Outro setor da economia que usa muito o Mogno Africano, e usava muito o Pau-Brasil, é a moveleira, principalmente da América do Norte e Europa atualmente.

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