Espécies de Mogno Africano mais plantadas no Brasil

Uma das espécies florestais mais conhecidas no Brasil é o Pau-Brasil. Essa árvore nativa do país é muito indicada para ações de arborização urbana, preservação ambiental e reflorestamento. Assim como o Pau-Brasil, o mogno africano é uma das espécies recomendadas para reflorestamento de madeira nobre. Além disso, quando o assunto é lucratividade, o mogno também se destaca.

Mesmo que você já tenha ouvido falar sobre mogno africano, você com certeza não sabe tudo sobre essa espécie tão rica e cheia de vantagens para os produtores. Por isso, neste artigo, você irá conhecer mais sobre essa madeira nobre que está entre as mais cultivadas do Brasil. Falaremos sobre as vantagens biológicas e financeiras do mogno africano, suas principais espécies, as diferenças entre elas e ainda sobre como plantar o mogno africano. Confira!

Conheça as espécies do mogno africano | Foto: Grupo Selva Florestal

O que é mogno africano?

Como o próprio nome sugere, o mogno africano é nativo do continente africano e chegou ao Brasil mais ou menos na década de 70. Porém, foi difundido somente nas décadas de 80 e 90 através de plantios experimentais nas diversas regiões do país.

O mogno africano em ambiente natural são árvores de grande porte, alcançando de 40 a 50 metros de altura e 2 metros de diâmetro.

Mogno africano no Brasil 

O estado de Minas Gerais se destaca por concentrar os maiores plantios. Além disso, a região possui grande infraestrutura para plantio e negócios envolvendo o mogno. De acordo com a Embrapa Brasília, estima-se que a área plantada em território brasileiro já tenha ultrapassado 37 mil hectares em 2018, o que torna o país um dos maiores produtores deste gênero.

Uma curiosidade é que também existe o mogno brasileiro. Diferentemente do africano, ele está ameaçado de extinção e seu plantio é inviabilizado devido ao ataque de pragas e doenças. Esse fator fez com que os silvicultores, pessoas que cuidam do desenvolvimento florestal, buscassem uma alternativa para substituí-lo, encontrando no mogno africano uma oportunidade de investir em madeira nobre. 

Os silvicultores variam desde produtores rurais, que optam por aderir a uma cultura diferente das lavouras agrícolas tradicionais, até profissionais fora desse segmento, que optaram por diversificar seus investimentos por meio de pólos florestais, terceirizando suas funções na etapa de plantio e manutenção para as empresas reflorestadoras especializadas.

Quais as principais espécies do mogno africano no Brasil?

O cultivo do mogno africano no Brasil já faz sucesso há alguns anos e continua crescendo de forma significativa. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), mais de 37 mil hectares desse mogno já foram plantados.

As três espécies de khaya (gênero com madeira de melhor qualidade) que são mais interessantes para a comercialização e obtenção no Brasil são: Khaya anthotheca, Khaya grandifoliola e Khaya senegalensis.

Entre essas opções de espécie, a mais cultivada no Brasil é Khaya grandifoliola. Ela apresenta melhor adaptação ao solo e ao clima, rápido crescimento e rendimento na produção de madeira nobre, gerando mais lucro para os produtores.

Quais as diferenças entre as principais espécies de mogno africano?

As três espécies são do mesmo gênero, mas isso não as torna iguais. É importante entender as particularidades e diferenças entre elas. O conhecimento acerca de aspectos biológicos de cada uma torna o processo de cultivo e manejo da terra mais simples e mais guiado.

Khaya anthotheca

A espécie Khaya anthotheca apresenta características importantes para recomendar seu plantio em solos úmidos, como margens de rios. O plantio deve ser mantido limpo, evitando a ocorrência de invasoras.

Conhecida como mogno-branco, sua madeira é marrom avermelhado escuro, durável e resistente ao ataque de cupins e fungos, ideal para móveis e pisos, painéis e excelente para construção de barcos, muito usada para produção de móveis de luxo ou qualquer aplicação que exige uma madeira de qualidade e médio peso.

Mesmo com seu reconhecimento no mercado internacional, seu cultivo não ocorre de forma muito intensa no Brasil.

Khaya grandifoliola

A espécie khaya grandifoliola foi por muitos anos tratada e conhecida como khaya ivorensis. É a que mais é cultivada no Brasil, devido à sua característica de fácil adaptação ao solo e ao clima brasileiro. É uma árvore de médio a alto porte, podendo atingir até 40 metros de altura.

Conhecida como mogno-da-folha-grande, suas folhas são de cor verde-oliva e sua madeira é bastante valorizada para carpintaria, marcenaria, móveis, construções leves ou até mesmo navais.

Khaya senegalensis

A espécie khaya senegalensis apresenta bom crescimento em locais úmidos e em cursos de água. É considerada uma árvore de porte médio, chegando até 35 metros de altura. Conhecida como mogno de zonas secas, suas folhas são da cor verde-oliva vivo e com nervuras amarelas. Sua madeira é utilizada para carpintaria, marcenaria e também lâminas decorativas.

Ela é a segunda espécie mais cultivada no Brasil, perdendo para a khaya grandifoliola, como já falamos. Nas áreas com solos arenosos e com deficiência hídrica, a espécie khaya senegalensis se destaca, pois apresenta rusticidade quanto a qualidade de solo, se desenvolvendo bem em diversos tipos, até em solos considerados menos férteis.

Mogno africano e o ataque de pragas e doenças

Apesar de se desenvolverem muito bem no clima e solo brasileiros, os plantios de mogno africano não estão 100% isentos de pragas e doenças. No geral, as pragas são os insetos. No caso do mogno africano, podem ser formigas cortadeiras, cupins e urupuás. Os fungos, bactérias e vírus, por sua vez, geram as doenças que podem acarretar o cancro do córtex ou da casca, a mancha areolada das folhas, a podridão branca ou murcha letal, cercospora e fusariose.

Vamos especificar algumas dessas pragas e doenças que afetam o mogno africano a seguir:

Pragas

Formiga Cortadeira

A formiga cortadeira é vista como uma praga muito comum e considerada a pior praga florestal. Os gêneros que mais atacam os plantios agrícolas e os de mogno africano são as saúvas (Atta) e quenquéns (Acromyrmex). Elas atacam independente da idade da floresta e, dependendo da intensidade desses ataques, podem trazer grandes prejuízos ao plantio.

Como estratégia para evitar essa praga, nas fases de pré-corte, pré-plantio e pós-plantio devem ser feitas algumas ações de controle.

Cupins

Os cupins também são outro exemplo de praga que atinge o plantio de mogno africano. Para controlá-los, independente da fase em que a floresta está, é necessário a aplicação de pulverizador.

Abelhas urupuás ou abelhas-cachorro

As abelhas urupuás têm seu ataque de forma mais intensa na parte jovem por apresentar uma perfuração mais fácil. Esse ataque provoca a morte da parte apical da planta, que é a região da raiz, do caule e das ramificações e é responsável pelo crescimento da planta. Dessa forma, o efeito que esse ataque pode gerar na planta faz com que haja atrofia e danos da brotação, injuriando o tronco.

A pulverização direta na colmeia ou eliminação através do fogo são formas de controle e de prevenção da ação desta praga nos plantios.

Doenças

Mancha areolada das folhas

Essa doença, causada por um fungo, gera o aparecimento de lesões nas folhas da árvore. É necessário aplicar fungicidas que contenham pencianol para o controle. Tal doença indica uma deficiência do fósforo (P).

Podridão branca ou murcha letal

Causada por um fungo que ataca a raiz das árvores com 12 anos ou mais, podendo levar à morte da planta. É recomendado evitar o plantio de mogno em áreas com probabilidade de alagamento para que esse fungo não se prolifere.

Mesmo que haja a ação e presença dessas pragas e doenças nos plantios do mogno africano, essa espécie se destaca pela sua rusticidade. Isto é, o mogno africano apresenta uma boa resistência a esses ataques quando comparada a outras espécies florestais.

Além disso, o controle de pragas e doenças que essa espécie está sujeita é fácil e pode ser feito antes mesmo de iniciar as plantações, ou seja, no processo de estudo e manejo da terra. Essas ações e métodos de controle pré-plantio podem definir o sucesso da plantação e evitar os ataques de pragas e o desencadeamento de doenças.

Por que vale a pena investir no mogno africano?

O mogno africano pode ser considerado um bom investimento, tornando-se até uma fonte extra ou uma alternativa de emprego para aqueles que buscam diversificar um pouco. A madeira nobre produzida por essa espécie agrada o mercado nacional e o internacional também.

Conheça algumas das vantagens do mogno africano, para saber os motivos que fazem o investimento nesse plantio valer a pena!

Vantagens do mogno africano

  • Madeira amplamente comercializada no mercado internacional;
  • Apreciação no mercado nacional;
  • Facilidade no controle de pragas e doenças;
  • Qualidade da madeira – resistente, homogênea;
  • Versatilidade do uso da madeira;
  • Confecção de móveis;
  • Acabamentos de veículos de luxo;
  • Sofisticadas peças ornamentais, como adornos e esculturas;
  • Construção naval: construção de navios e embarcações;
  • Marcenaria;
  • Produção de instrumentos musicais e esportivos, brinquedos, instrumentos de precisão, entalhes, torneados, acessórios de luxo como anéis, óculos e outros.

Como plantar mogno africano?

Agora que você já sabe as principais características do mogno africano e de suas espécies, vamos te dar algumas dicas de como plantá-lo. Como falamos, o mogno africano se caracteriza por sua fácil adaptação ao solo e ao clima brasileiro, isso já é um grande passo, mas ainda não é suficiente para garantir o sucesso de seu plantio.

Na verdade, a maneira como se planta é crucial para o desenvolvimento de seu cultivo. São necessários alguns cuidados e métodos importantes. Listamos 7 etapas para você. Confira:

Realize análise do solo

O estudo do solo é crucial para garantir o desenvolvimento de seu plantio. Características como profundidade, umidade, textura e topografia serão descobertas através da análise. Somente com resultado de estudos você saberá se determinada região é recomendada ou não para seu plantio, quais métodos você terá que utilizar durante a plantação e como será o manejo desse solo.

Considere os fatores climáticos

Os climas tropical úmido e subtropical são vistos pelos especialistas como apropriados para realizar o cultivo do mogno africano. Mesmo assim, é importante se atentar às características sazonais e das estações, pois períodos com muita chuva ou com muita seca influenciam na plantação e nos seus métodos.

Contrate uma equipe

Seja por meio de uma contratação direta, seja através do sistema de terceirização, a contratação de uma equipe capacitada e especializada para trabalhar no seu plantio é crucial para que ele dê certo e gere lucro. Portanto, escolha bons profissionais e esteja atento às leis ambientais e trabalhistas também.

Limpe o terreno do futuro plantio

Antes de iniciar de fato o plantio do mogno africano, limpe toda a área que será utilizada. É necessário que todo o mato seja retirado. Esse trabalho pode ser feito de forma manual ou mecanizada, isso fica a seu critério. Analise qual dos dois processos te atenderá melhor e realize a limpeza.

Obtenha mudas de qualidade

O futuro sucesso do plantio está diretamente ligado a qualidade das mudas que serão adquiridas e plantadas. Preste atenção para saber se as mudas de mogno africano que você irá adquirir são de viveiros credenciados a órgãos reguladores como o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) juntamente com o Registro Nacional de Mudas e Sementes (RENASEM).

Invista no controle de pragas

Já foi mencionado que as pragas podem sim atingir o plantio de mogno africano, apesar da resistência da espécie. Por isso, realize ações de controle preventivo no solo para evitar que essas pragas ataquem suas espécies.

Atente-se ao melhor método para plantar o mogno africano

Não existe uma regra ou uma fórmula mágica para que você realize seu plantio. Tudo depende de alguns fatores, como as características geográficas e climáticas de onde se pretende realizar o cultivo.

A operação pode ser feita de forma manual ou mecanizada. Geralmente, a mecanizada é a preferida dos produtores pela agilidade. Porém, nem sempre ela é recomendada. Por isso, existem os artifícios manuais que também podem ser utilizados no processo de cultivo.

O segredo é observar qual método é melhor para as características da região. Mesmo tendo um alto potencial de rendimento, para ter rentabilidade, é preciso planejar o plantio e entender detalhadamente os passos necessários para iniciar o negócio.

Dica bônus

Além de seguir essas dicas, é recomendado que você, produtor rural e investidor interessado no cultivo dessa espécie, conte com o apoio de uma consultoria para plantio, como a do Grupo Selva Florestal, para que suas plantações de mogno africano deem certo. A consultoria irá fornecer orientações sobre como plantar, assim, investir nesse tipo de consultoria é uma forma de garantir produtividade e lucratividade e evitar gastos desnecessários no futuro.

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